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segunda-feira, 19 de abril de 2010

Imutável amor

Parte I
Capítulo 2

Me sinto só, melhor, estou só. Literalmente sem ninguém. Entretanto, o que me deixa mais triste não é o fato de eu estar sem ninguém, o pior é estar sem ele. Se ninguém estivesse aqui e ele estivesse, todos estariam.
Nunca imaginei sofrer tanto por amor, nunca quis. Jamais pensei amar tão intensamente alguém. E sentir sua falta a cada segundo que suspiro, continuar, apesar do tempo, tendo sede dele, mais, muito mais.
Fico imaginando o que eu faria se o visse. Vamos imaginar umas cenas: eu estou andando em uma das praias de Fortaleza, em uma parte deserta dela. Estou só, como sempre e então o vejo, ele está longe de mim, vou ao seu encontro, ele também me vê e vem ao meu. Abraçamos-nos e nos beijamos.
Aquele vazio, o buraco, de que eu falei vai embora, tão que me sinto curada:
-Estava com tanta saudade!- eu falo em seu ouvido
-Também meu amor! Posso te chamar assim, de “meu amor”?-ele indaga
-Claro que pode, minha vida!- respondo imediatamente
Beijamos-nos novamente e falamos mais alguma coisa, todavia desta vez ininteligível.
Sinto-me tão bem, tão bem que isso poderia ser eterno. Ele do meu lado, nós dois juntos. Esse é o meu momento perfeito. A única coisa que me preocupa é pensar: “E quando ele for embora?”. “Como eu vou fazer sem ele, meu ar?”
Estávamos de férias, então ele passou o mês inteiro de julho comigo! Víamo-nos todo dia. Ele me levou a sua casa que, diga-se de passagem, é linda. Na verdade a casa era da tia dele. Ele ia lá com a família todas as férias. Uma casa ampla, mostarda na entrada. Depois do primeiro portão via-se um laranja vivo na parede e, como um sobre tom, um laranja claro e depois um bege. Os quartos eram enormes e havia cinco deles. Três ocupados pela mãe, pai e os dois filhos, (a tia, o tio e os dois primos dele) e mais dois quartos de hóspede, todos suítes.
Haviam uma sala de estar, uma de jantar, uma sala de TV, área de serviço e um jardim imenso e bem verde que cercava toda a casa, menos a entrada para a garagem. O jardim era todo gramado e cheio de rosas de todos os tipos.
Ficávamos namorando em um banquinho, na zona sul da casa, local mais reservado. Ele tocava violão e cantava para mim, que voz ele tem! Também toquei e cantei para ele, algo maravilhoso e romântico.
Não vejo tristeza na minha frente, não haviam mais aqueles pesadelos sombrios, nos quais eu estava sem ele. No entanto, havia algo, aquela preocupação de que eu falei, ela estava me consumindo por dentro, como chamas ou brasas vivas e intensas.
O que eu faria se o buraco, a dor, a tristeza, a falta de ar e o aperto em meu seio voltassem?
Eu estava empenhada em tirar aquele pensamento da minha mente, lutava para que este parasse de atormentar-me.
Por mais que em meu subconsciente eu soubesse que ele iria embora, que eu ficaria sem ele novamente, eu queria viver impetuosamente aquilo.
E, enquanto vivia, pude sentir; provar uma felicidade tão plena que cheguei a pensar se não era errado. Nunca cogitei que se pudesse ser tão feliz assim, que alguém pudesse. Mas eu estava.
Talvez eu não consiga descrever tão precisamente como eu me sentia naquele momento. Era mais ou menos como se eu não andasse, mas eu não flutuava, eu estava levitando. E o mundo não estava mais monótono e enfadonho; como se dele emanassem cores fortes que vinham de encontro aos meus olhos e enchessem- me, completassem-me. Esta é a minha descrição de felicidade plena através do amor. Sentimento este capaz de transformar o mais sórdido maníaco em um ser bom, amável.
Ele me levou em uma das praias mais lindas que já vi: Canoa Quebrada. Fica em Aracati- CE. Passamos três dias lá, nó dois e toda a sua família.
Foi perfeito! Eu e ele organizamos um lual para todos que lá estavam, com direito até a fogueira, se não fosse à chuva.
Daí vem mais uma nova experiência, aquela fora a primeira vez que eu havia beijado na chuva. No entanto, beijar na chuva nada se compara com BEIJAR O HOMEM QUE VC AMA na chuva.
Filósofos podem dar inúmeras descrições sobre o que é perfeição. Porém, eu digo que perfeição é estar com quem se ama, não importa se a situação é boa ou crítica: quando se está com quem se ama, enfrenta-se tudo, todos: se é feliz! Felicidade e perfeição caminham juntos e um inexiste sem o outro.
Então devo afirmar com toda certeza que eu estava, perfeitamente, feliz.
Entretanto, tudo não passa de utopia. Queria tanto que isso realmente tivesse acontecido. Nem precisava ser dessa maneira que eu descrevi. O que eu desejava mesmo era vê-lo, tocá-lo.
Sempre fui uma pessoa muito reservada e extrovertida, ao mesmo tempo. Isso é possível? No meu mundo indubitavelmente! Poe isso, ei-lo aqui, o lugar onde os sonhos mais improváveis são possíveis.
Onde eu estava mesmo? Ah, sim: RESERVADA e EXTROVERTIDA! Explicarei: em relação a sentimentos sempre fui muito cautelosa. Sempre tive vergonha de dizer o que estava sentindo e achava que chorar era um sinal de fraqueza, nunca chorava na frente de ninguém. Só quando eu me encontrava sozinha, em meu quarto.
Em contraponto a isso vem o fato de eu ter uma imensa facilidade de me comunicar. Algo muito simples para mim é fazer um amigo.
Todavia, depois que eu o conheci, mudei. Eu sentia uma enorme vontade de dizer para ele o que estava em minha mente e meu coração. Queria contar, falar, não só para ele e, sim para todos que estavam perto de mim. Estava tão feliz, tão radiante que meus olhos brilhavam. E, mesmo depois que ele foi embora continuei a amá-lo, isso me inspirava. A esperança de um dia vê-lo novamente era o que me sustentava em vida, meu alento.

By: Jéssica Vieira Freire

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